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Fitopatologia

Manejo da ferrugem asiática da soja em um cenário crescente de resistência aos fungicidas

Manejo da ferrugem asiática da soja em um cenário crescente de resistência aos fungicidas

Carlos Alberto Forcelini

Eng.Agr, Ph.D. em Fitopatologia

Universidade de Passo Fundo

A cultura da soja é afetada por diversas doenças foliares e radiculares. A mais importante no Brasil, dada à sua possibilidade de reduzir a produtividade em mais de 50%, é a ferrugem asiática da soja, causada pelo fungo Phakopsorapachyrhizi. Em cultivares suscetíveis, o seu controle depende fundamentalmente da aplicação de fungicidas, realizadas entre três e quatro vezes por safra. Atualmente, Phakopsora acumula resistência parcial (ou redução na sensibilidade) aos principais fungicidas específicos (triazóis, estrobilurinas e carboxamidas) indicados para seu controle. A obtenção e aprovação de novos ingredientes ativos é processo caro e, principalmente, demorado, o que nos remete à utilização racional das ferramentas que dispomos hoje. Caso contrário, o controle da ferrugem e a sustentabilidade da soja estarão ameaçadas.

A resistência de Phakopsora aos fungicidas vem se agravando. Primeiramente foram afetados os triazóis (2008), depois as estrobilurinas (2014) e, recentemente, as carboxamidas (2016). À medida que isso acontece, cai o nível de controle e aumentam as perdas econômicas associadas à doença. O caso da ferrugem no Brasil, de resistência múltipla e tripla, é gravíssimo, dada à dimensão de cultivo da soja no Brasil, aproximadamente 33 milhões de hectares. Contudo, ele pode ficar pior, considerando que já há relatos de resistência a até seis grupos químicos de fungicidas em outros fungos.

Na safra brasileira de soja 2016/17, a ocorrência da ferrugem asiática foi moderada, mesmo assim, falhas no seu controle foram observadas. Fica uma grande preocupação sobre seu manejo nesta safra e nas próximas que virão. Como enfrentar as epidemias da ferrugem, com fungicidas mais ou menos comprometidos pela resistência, sem novas ferramentas sendo disponibilizadas? Com certeza, a solução passa por uma maior integração das estratégias de controle disponíveis.

Uma das principais ferramentas é a maior inclusão dos fungicidas multissítios nas aplicações. Embora o Brasil tenha uma média de 3,3 aplicações de fungicidas por safra, os multissítios são utilizados em menos de 50% das áreas, e, nestas, apenas 1,5 vez por safra. Essa frequência é insuficiente para lidar com o problema da resistência e suas consequências negativas sobre o controle da ferrugem e a produtividade da soja.

Ajustes no posicionamento das aplicações e dos fungicidas também são importantíssimos. Embora os sintomas da ferrugem sejam mais frequentes no enchimento de grãos, suas infecções podem se iniciar na fase vegetativa, paralelamente às manchas foliares, antracnose e oídio. Uma primeira aplicação antes do fechamento das entrelinhas, com fungicidas eficazes, resulta em diferenças de rendimento de 4 a 6 sc/ha. Atrasos nesta primeira aplicação podem resultar em diferenças de 0,5 a quase 1,0 sc/ha/dia (projeto De primeira sem dúvida, Bayer/UPF). Também é importante observar intervalos seguros para as próximas aplicações, até 15 dias, em cultivares suscetíveis, ou 20 naqueles com resistência à ferrugem (Inox).

É fundamental considerar também a importância das outras estratégias de manejo, como a resistência genética, o vazio sanitário e a eliminação da soja guaxa/tiguera na entressafra, assim como tecnologia de aplicação que realmente permita boa distribuição dos fungicidas.

Cada safra tem suas particularidades e desafios. É prudente estar bem preparado.

 

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