Experimento avalia relação entre desfolha e produtividade
Lavoura de destaque em Guarapuava e região, com produtividades médias que variam entre 12 e 16 mil quilos por hectare em plantações comerciais tecnificadas, o milho, assim como outras culturas, está sujeito à desfolha e à consequente perda de produtividade final. Se esta é uma realidade numa região do Paraná onde um dos fatores, o granizo, não é raro, uma pergunta é natural entre os que se dedicam a este ramo da agricultura: diante da perda de área foliar, como saber o tamanho do impacto no desempenho das plantas?
Para começar a buscar a uma resposta, considerando o conhecimento de pesquisas já existentes sobre o assunto, uma mestranda do curso de Agronomia da Unicentro, sob orientação do Prof. Marcelo Cruz Mendes, iniciou, no final de 2019, um estudo na Fazenda Escola da universidade (Fazesc) com o objetivo de gerar informação sobre a questão em Guarapuava – um lugar do Paraná que se diferencia de várias outros devido ao clima e a altitude, que supera os 1000 metros.
Ao conversar com a REVISTA DO PRODUTOR RURAL, dia 21 de fevereiro, Janaína Neiverth comentou que o experimento foi implantado em duas épocas de semeadura, sendo a 1ª em outubro e a 2ª em novembro.
A ideia, antecipou, é verificar o impacto na produtividade depois que a planta tem suas folhas danificadas. “Esse trabalho busca avaliar a remoção do limbo foliar de diferentes híbridos de milho na fase reprodutiva. Escolhemos o milho principalmente por ser uma cultura entre as mais cultivadas e as mais produtivas. Isso se deve principalmente a sua maquinaria fotossintética, ou seja, devido sua alta habilidade de conversão da radiação solar em produção de biomassa. E sabemos que este rendimento é diretamente afetado por alguns fatores – dentre estes, a geada, danos causados por insetos, chuva de granizo, que levam a perda da área foliar”, analisou a mestranda.
Ainda de acordo com Janaína, dados de pesquisas mostram que os danos da desfolha em milho são maiores ou menores conforme a parte da planta atingida (terços inferior, médio e superior) e o seu estádio de desenvolvimento. Detalhes que, observou, a levaram a escolher a época de reprodução como o foco de seu trabalho: “Hoje, existem estudos de que o terço superior da planta é responsável por até 70% do rendimento da produção e de que o terço inferior por até 30%. A desfolha, quando ocorre durante a fase vegetativa, não impacta tanto na produtividade. Não acontece o mesmo na fase reprodutiva, onde o impacto é muito grande”, comparou.
Segundo completou, o experimento coloca lado a lado quatro materiais de ciclos diferentes: “Estamos buscando avaliar qual material tem melhor comportamento frente a remoção do limbo foliar ”.
Embora a colheita só fosse ocorrer dali a cerca de um mês, no final de março, a mestranda contou que já se voltava a algumas avaliações: “No momento, estou realizando avaliações de doenças, quantificação de clorofila para avalição do impacto na fotossíntese e senescência foliar. O resultado final, antecipou, espera para o mês de junho: “Vamos ter resultados do efeito da remoção do limbo foliar nos diferentes híbridos estudados e quanto isso impactara na produtividade final”. Tal estudo buscar trazer informações tanto em nível da pesquisa e produtores rurais da região, quanto para a Fazenda Escola”, finalizou.
Importância das folhas para a manutenção de produtividade
O milho é um dos cereais de maior importância no mundo, sendo destaque a sua utilização para o consumo humano e animal. A sua produtividade de grão é a mais elevada comparada aos demais cereais, em virtude da sua eficiência na conversão da radiação solar em produção de biomassa. No entanto, dentre os fatores que podem reduzir esta eficiência no acúmulo de matéria seca na planta e no grão, estão os fatores de estresses, tais como: granizo, pragas, doenças, danos mecânicos, geadas, entre outros, os quais podem resultar em redução da área foliar.
No entanto, os prejuízos ocasionados pela desfolha dependem do estádio fenológico em que ela ocorre, sendo menos impactantes nos primeiros dias após a sua emergência. Porém, a planta quando inicia a fase reprodutiva ela apresenta seu índice foliar máximo, sendo este período considerado o mais vulnerável a falta de luminosidade, água e área foliar para a produção de fotoassimilados. Nesse contexto, o ideal para cada híbrido de milho, é que ele possa avançar as fases de desenvolvimento vegetativo e reprodutivo, mantendo as folhas fotossinteticamente ativas de acordo com seu ciclo, o que poderá possibilitar ao genótipo expressar a seu maior rendimento.
As folhas contribuem diferencialmente no suprimento de fotoassimilados para a energia necessária para a manutenção da planta e para o enchimento de grãos, em geral o terço superior é responsável por manter as estruturas morfológicas e reprodutivas, enquanto que o terço inferior suprem o sistema radicular. A perda da área foliar pode acarretar em alterações fisiológicas e modificações nas características agronômicas que afetam a produção de grãos e a qualidade das sementes.
Nesse sentido, vale ressaltar a importância de associar a manutenção das folhas, visando proteger a produtividade, principalmente do terço superior e a escolha do manejo da cultura a ser adotado em cada sistema de produção, possibilitando ao produtor sua maior eficiência técnica e rendimento final.